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Tipo: CURA Santo:Maria Santíssima Data:25 de Julho de 1923 Local: Lourdes - França Título :Recuperação de Ossos
e Desaparição de Chagas GRANDE INVÁLIDO INCURÁVEL. Foi na batalha diante de Anvers, durante a Preimeira Guerra Mundial. A armada inglesa retira-se em perfeita ordem, mas deixara em terra um batalhão de infantaria da marinha. Jack Traynor tinha 24 anos quando, no dia 8 de outubro de 1914, caiu dessangrando-se. A metralha alcançara-o gravemente pelas costas. Um fragmento da metralha perfurou o crânio, deixando uma abertura entre dois e meio a três centímetros de diâmetro. Quando a ambulância carregada de mortos e feridos chegou a Dunkerke, o médico que se inclinou sobre ele para certificar a defunção constatou que ainda respirava. Rapidamente atendido, quatro cirurgiões salvaram-lhe a vida, mas Traynor só recuperou a consciência cinco semanas mais tarde, inteirando-se então de que haviam conseguido tirar-lhe do cérebro um estilhaço de granada. Dez meses depois, em abril de 1915, a necessidade de soldados faz que participe do assalto à fortaleza de Sébdul-Bar, em Egito. Mas uma rajada de metralhadora o alcança. Só será encontrado ao anoitecer, quando os padioleiros inspecionam o campo de batalha. Inconciente. Morimbundo. Perdera quase todo seu sangue. Duas balas no peito atravessaram os pulmões, uma raspando levemento o coração. Uma terceira bala alojou-se sob a clavícula após destruir o plexo nervoso braquial, que comanda os movimentos do braço direito. O morimbundo foi transladado com todos os cuidados ao Hospital Geral de Alexandria. Nesse hospital tempo depois, o cirurgião pessoal do rei Eduardo VII, Dr. Sir Frederick Treves, de Londres, tentou inutilmente suturar os nervos destruídos, para evitar a paralisia certa do braço. Sobre sua carne, seus nervos, seus ossos, foram exercidos em diversas oportunidades a sagacidade e habilidade dos mais notáveis médicos britânicos. Além do Dr. Frederick Treves, destacadamente durante o repatriamento à Inglaterra o Major Ross, de Edimburgo, médico-chefe do navio-hospital "Gurka"; e logo da sua chegada o Dr. Sanders, cirurgião do Hospital Militar de Portsmouth; os Drs. Montsarat e Mac Murray, de Liverpool. Mas, apesar de tantos esforços médicos e quatro operações cirurgicas, foi impossível evitar que ficasse, e anualmente confirmado, "grande inválido de guerra". Foi inútil uma quinta operação cirúrgica, e segunda trepanação, em 1920, para retirar possíveis lascas de osso e fragmentos restantes da granada, que poderiam ser - pensavam - causa da violenta epilepsia. As crises epiléticas continuaram, numa média de três por dia, às vezes seguidas de perda dos sentidos até por 12 horas. Foi-lhe assinado pensão de 140%, porque precisava dia e noite uma enfermeira. Quatro anos depois do ferimento, as pernas só se mexem por movimentos convulsivos. Sete anos sem caminhar, ficando sempre em cama, terminou por perder a sensibilidade nas pernas. Perdeu também o controle para movê-las. Está esquelético. Oito anos depois do ferimento, no dia 24 de julho de 1923, Jack Traynor não se apresenta ao médico chefe do Hospital de Incuráveis, de Mossley Hill, para a revisão anual obrigatória dos pensionados de guerra. É que no dia 22 Jack Traynor, desobedecendo todos os conselhos de médicos e familiares que temem que não resitirá a uma viagem de 1.600 quilômetros, fez-se levar a Lourdes. Os Drs. Azurdia, Finn e Marley, da peregrinação de Liverpool, a duras penas consentiram em admiti-lo, em todo caso não sob a responsabilidade deles, e na viagem continuamente temem pela sua vida. O próprio Traynor dissera na véspera, ao sapateiro de quem comprou sapatos para a viagem: "Em poucos dias, talvez volte a ver você com esses sapatos nos meus pés...ou talvez, meu velho, nunca mais me verá" A peregrinação chega a Lourdes no dia 23. No "Posto de Constatações Médicas" de Lourdes, onde os doentes devem ser examinados antes de irem às piscinas, o Dr. A. Vallet faz constar no seu relatório: "Este homem era, ele sozinho, um verdadeiro museu patológico(...): paralisia radial, média e cubital do braço direito, tendo em conseqüência atrofia de todos os músculos correspondentes, incluindo os das costas e peitorais: a mão balançando e em forma de garra; ferida no crânio, um pouco a direita da região fronto-parietal, interessando toda a espessura do osso e permitindo ver e perceber ao tato as pulsações subjacentes: paralisia parcial dos membros inferiores, com perda do controle vesical a ano-retal, e perda da sensibilidade: enfim, crises de epilepsia secundária, de origem traumática, repetindo-se até três vezes por dia; e em razão disso o doente era incessantemente levado a um hospital de incuráveis". O "Posto de Constatações Médicas" sabe que no caso de Traynor seriam necessárias ao menos três curas simultâneas de três doenças principais diferentes: epilepsia que durava oito anos, paralisia, e o aspecto agora frisando - abertura craniana. A epilepsia inveterada necessariamente se agrava de dia em dia. Em relação à paralisia, a cura implicaria assombrosas reedificações tissulares: regeneração, crescimento, acoplamento e solda dos nervos seccionados, de modo a permitir o retorno do influxo nervoso; para a reconstrução do parietal, afluxo de fosfato de cal no sangue e pelo osso na quantidade necessária. Tudo isso sem falar na síndrome de epilepsia, atrofia, debilidade... Também para os que acompanham Traynor, parecem muitos milagres juntos. Mas ele espera obtê-los por intercessão de Nosso Senhora de Lourdes! O Dr. Vallet termina por ceder às súplicas de autorização para que os padioleiros submerjam Traynor no dia 24 numa das piscinas junto à gruta de Massabielle. Várias testemunhas deram conta do dramático espetáculo que Traynor deu, contorcendo-se e gritando de dor ao contato com a água gelada da piscina. Temendo que aquelas convulsões fossem uma nova crise de epilepsia, os padioleiros levaram-no imediatamente de volta ao hospital. De tarde, estendido sobre sua padiola, Jack Traynor assiste à procissão. Naquela tarde do dia 25 de julho de 1923, é o Arcebispo de Reims que vai abençoando com o Santíssimo Sacramento cada doente. Chegou a vez de Jack Traynor... E cura instantânea e plena. Sente um bem-estar imenso. Levanta-se da sua padiola. E sai camnhando. Noite calma. Por primeira vez sem crise nenhuma de epilepsia. Escreverá o mesmo Traynor: "Na manhã seguinte, literalmente pulei do meu leito! Lavei-me e fiz a barba sozinho! E saí do hospital sobre meus dois pés! Todos aqueles a quem me aproximava estendendo-lhes a mão, recuavam como se vissem um fantasma aparecendo diante deles". Foi à gruta para agradecer a Nossa Senhora. O "Posto de Constatações Médicas" constata que Traynor pode caminhar perfeitamente, que recuperou o uso e função do braço direito, como também a sensibilidade dos membros inferiores que o orifício do crânio está fechado, ficando "a marca" (típica de Lourdes): nota-se ao tato uma pequeníssima ondulação nas bordas do antigo orifício...A cura perfeita e instantânea é reconhecida em certificado médico assinado a 27 de julho pelo Dr. Vallet, do Próprio Posto de Lourdes; Drs. Azurdia, Finn e Marley, vindos na peregrinação de Liverpool; Dr. Harrington, de Preston (Inglaterra) e Dr. Moorkens, de Amberes (Bélgica), nesses dias pesquisando em Lourdes e que também verificaram tudo antes e depois da cura de Traynor. Nos escassos 10 dias que a peregrinação de Liverpool ficou em Lourdes, a atrofia desapareceu completamente, Traynor recuperou todo seu peso, recuperou as forças correspondentes a um homem da sua idade, 32 anos. As reações são muito diferentes: 1) Já em Liverpool, Jack Traynor conscientemente apresentou-se às autoridades competentes para renunciar à sua pensão de inválido total e incurável de guerra. Mas... continuou durante toda a sua vida recebendo 140% de pensão, porque o Ministério das Pensões de Guerra, da Inglaterra, não aceita a cura de grande inválido incurável! 2) o "Posto de Constatações Médicas" de Lourdes, pelo contrário, no seu Boletim Oficial, a 2 de outubro de 1.926, garante que a cura instantânea, perfeita e permanente de Jack Traynor está "absolutamente além e acima das forças da natureza". 3) As duas jovens protestantes, anglicanas, que acompanhavam Jack Traynor como enfermeiras na peregrinação e em Lourdes, converteram-se ao Catolicismo. 4) E as famílias das duas enfermeiras também passaram ao Catolicismo. 5) O pastor anglicano da Paróquia de ambas as jovens em Liverpool também se converteu ao Catolicismo e quis ser sacerdote católico (mas por estar casado e com filhos, a hierarquia católica considerou prematuro este seu desejo de exercer como sacerdote). Etc. Traynor depois da cura teve três filhos perfeitamente sadios. Em Liverpool trabalhou durante 20 anos como carregador de caminhão numa empresa de transporte de carvão. Três vezes por ano, durante 22 anos, Traynor voltou a Lourdes a trabalhar como um dos mais robustos padioleiros voluntários. Até sua morte em 1.943, com 64 anos de idade, vítima de pneumonia após uma hérnia, estrangulada por um violento esforço. Fonte:Os Milagres e a Ciência - Pe. Oscar G. Quevedo, SJ - pag. 99- Edições Loyola - Ano 2000 |